Inscrições abertas Coletânea de Poetas Brasileiros 2026
Demorei para ler os poemas de Rimbaud completos. Na biblioteca da minha cidade não havia livros de sua poesia ou prosa. Mas havia duas biografias. E nelas alguns poemas. E nesse pouquinho das letras dele fui arrebatado.
Mas também o fui pela hipérbole de sua vida filme. Rimbaud (que assim como Patti Smith, erroneamente chamei no principio de Rimbaud) me pegou pelas ancas. Nele começa a trajetória do punk. Do andarilho. Do viva intensamente aguente as consequências. As primeiras citações sobre Rimbaud que captei foram de artistas pop como Jim Morrisson, Echo And The Bunnymen e Cazuza.
Eu tinha 16 anos. Anos 1980.
Eu imaginava, pelo pouco que tinha lido nas biografias , os poemas de Rimbaud. E isso moldou minha escrita. Moldou minha juventude. Queria pecar e errar como ele. Estar à deriva. Quando imaturos e inexperientes só vemos o glamour das tragédias , da solidão e da fome. Não pensamos nas dores e nem mesmo no mau cheiro do mundo. Eu segui forcei a barra para ter experiências semelhantes e algumas consequências me acompanham mesmo hoje aos 50 anos.
Quando consegui meu primeiro Livro do Rimbaud — quão diferente dos poemas que eu imaginava, tão melhor! — tradução de Lêdo Ivo.
Recebi minha tábua de esmeraldas.
E se às vezes , relendo suas obras o acho apenas um menino mimado raivoso ou uma criatura alien, é muito mais pelo meu humor do que pelos escritos.
Rimbaud é. E está no éter.
Everton Cidade é músico e escritor.
Tem 5 livros publicados.
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