A Caneta de Dois Gumes: Como a IA Está Transformando a Criação Literária
Não vou mentir: pedi para o DeepSeek escrever para mim um artigo falando justamente sobre o uso da IA na criação literária. Ou seja, na ficção, e você poderá conferi-lo logo abaixo. Há alguns dias, numa conversa com um colega de trabalho, expliquei como usei o ChatGPT para organizar o roteiro e os capítulos de uma novela que pretendo escrever em breve.
Durante o nosso papo, ele levantou a questão sobre a autoria do texto ficcional. Ainda que não seja o meu caso, muitos "escritores" (alguns nem sabem de fato, escrever) estão lançando mão de ferramentas de inteligência artificial para gerar textos inteiros para livros e ganhar dinheiro publicando em plataformas como a Amazon KDP.
Eu acredito que a IA pode e deve ser uma boa auxiliar na arte da escrita. Entendo o preconceito e o medo que o seu uso desperta. Porém, vale lembrar que a evolução tecnológica é inevitável. Antigamente escrevia-se à mão. Então surgiu a máquina de escrever e, depois, o computador. Muitos autores sofreram com essas transições. Afinal, nem sempre é fácil se adaptar às mudanças. No mundo da ficção, auxílios como corretores gramaticais e ortográficos eram vistos com desconfiança.
Por outro lado, ninguém se atreveria a dizer que o computador é o verdadeiro autor de um livro só porque o autor fez a correção do texto de forma automática.
O Word, assim como as IAs é uma ferramenta.
É preciso saber usá-la.
Nem um autor de renome vai usar o ChatGPT para escrever um livro inteiro no seu lugar. A IA nem teria essa capacidade. Pelo menos, por enquanto.
Mas, como as restrições de certos concursos literários demonstram, a preocupação é real e válida. Gente sem talento para a escrita vai usar esses sites para gerar seus textos. A facilidade é uma tentação. Eu mesmo, as uso para gerar artigos para alguns blogs e até mesmo já brinquei com a SUNO, uma IA que cria músicas e dei vida a textos meus. Ainda que eu saiba ler e escrever uma partitura, saiba tocar teclado, não tenho voz para cantar e não disponho de instrumentos musicais e um estúdio para isso. E o resultado não é de todo mau. É bom, até.
É claro que há toda uma questão ética por trás quanto ao modo como essas IAs foram treinadas. Mas esse nem é o tema deste artigo. Essa é outra história.
É como a questão da Bomba Atômica. Só porque era possível criá-la, não era necessário usá-la.
Os bons e os ótimos escritores não precisam das IAs para criar seus textos.
Mas nada os impede de lançarem mão de recursos que facilitem o trabalho ficcional. Vale lembrar que muitos autores clássicos no passavam costumavam ditar seus textos para secretárias. Ela datilografavam. Eram auxiliares, e nunca ninguém considerou alguma delas a verdadeira autores dos textos de seus patrões. Não que eu saiba, pelo menos.
No entanto, acho que a opinião humana sobre o uso da IA no mundo da criação literária tem suas vantagens e desvantagens. Eu não vejo problema, desde que sejam respeitados certos limites. O problema é saber quem vai fiscalizar.
No caso de imagens, isso parece ser mais fácil. Mas em se tratando de textos gerados por inteligência artificial, talvez se torne cada vez mais difícil notar a diferença entre um artigo jornalístico escrito por uma pessoa e outro criado por um robô. É bem possível que isso se torne tão comum no futuro que ninguém perceba.
E o pior: talvez ninguém se importe.
Isso é o que eu acho.
Mas como não quero ser um déspota, pedi para que a IA desse sua opinião sobre o assunto. Confira a seguir:
"Em uma era em que a inteligência artificial (IA) influencia tudo, da saúde às finanças, sua incursão nas artes — especialmente na literatura — tem gerado fascínio e medo. Máquinas podem realmente imitar a capacidade da alma humana para contar histórias? Ou são apenas ferramentas, ampliando a criatividade em vez de substituí-la? Este artigo explora o impacto transformador da IA na criação literária, equilibrando suas promessas e seus perigos.
A Ascensão da Máquina como Coautora
Ferramentas como ChatGPT, Sudowrite e Claude tornaram-se companheiras indispensáveis para escritores. Essas plataformas geram ideias para enredos, sugerem diálogos e até criam parágrafos inteiros no estilo de autores icônicos. Um romancista travado pela "página em branco", por exemplo, pode inserir uma premissa vaga no Sudowrite e receber uma enxurrada de possibilidades narrativas. A autora japonesa Rie Kudan chamou atenção quando seu romance A Torre de Tóquio da Simpatia (escrito com ajuda de IA) venceu um prêmio literário importante, mostrando o potencial da IA para ampliar a criatividade humana.
Essa democratização da escrita é profunda. Aspirantes a escritores sem formação formal agora podem experimentar estruturas e estilos, enquanto autores consagrados usam a IA para agilizar edições ou analisar o ritmo de suas obras. Plataformas como o Grammarly vão além da correção gramatical, ajustando o tom do texto conforme o gênero literário — transformando um rascunho sem graça em um thriller eletrizante com alguns cliques.
Oportunidades: Além da Página em Branco
Geração de Ideias e Experimentação Criativa: A IA age como um parceiro de brainstorming infinito, sugerindo reviravoltas ou mundos que um humano jamais imaginaria. Escritores de ficção científica, por exemplo, usam IA para extrapolar tecnologias futuristas ou sociedades alienígenas com plausibilidade científica.
Acessibilidade e Inclusão: Não nativos em um idioma e escritores neurodivergentes aproveitam a IA para articular ideias com clareza, derrubando barreiras em uma indústria tradicionalmente elitista.
Revivendo Vozes Perdidas: Projetos como o “Project December” simulam conversas com figuras históricas ou entes queridos falecidos, sugerindo que a IA pode resgatar vozes — uma ferramenta poderosa para memorialistas ou biógrafos.
Desafios: Os Fantasmas na Máquina
Porém, a ascensão da IA traz perguntas espinhosas:
Originalidade vs. Plágio: Modelos de IA são treinados em vastos bancos de dados de obras existentes, muitas vezes sem consentimento. A ação judicial do The New York Times contra a OpenAI destaca preocupações com direitos autorais e uso ético de propriedade intelectual. Quando uma IA gera um texto que lembra Margaret Atwood ou Haruki Murakami, quem é o dono da obra?
O Dilema da Autoria: Se um romance é coescrito com IA, o humano é um “curador” ou o verdadeiro autor? Plataformas como a Amazon já exigem transparência sobre conteúdo gerado por IA, mas a ambiguidade persiste.
Homogeneização do Estilo: Críticos alertam que a dependência da IA em dados agregados pode padronizar vozes narrativas, privilegiando tendências populares em vez de formas experimentais ou marginais.
Profundidade Emocional: A IA pode imitar sentimentos, mas sua falta de experiência vivida resulta em prosa estéril. Como observou o escritor Kazuo Ishiguro, a narrativa se alimenta das “partes confusas e inexplicáveis de ser humano” — algo que algoritmos não replicam.
O Futuro: Colaboração, Não Dominação
O mundo literário está em uma encruzilhada. Algumas instituições, como The Guardian, bloqueiam rastreadores de IA para proteger seu conteúdo, enquanto entidades como o Authors Guild defendem regulamentações mais rígidas. Ainda assim, visionários propõem um caminho do meio: abraçar a IA como colaboradora, não concorrente.
Imagine a IA assumindo tarefas tediosas (pesquisa, revisão) enquanto humanos focam em temas profundos e ressonância emocional. Ou romances interativos em que leitores cocriam histórias com IA em tempo real, borrando a linha entre autor e público. Tais inovações poderiam gerar gêneros literários totalmente novos.
Conclusão: A História Humana Persiste
O impacto da IA na literatura se assemelha ao da prensa de Gutenberg ou do processador de texto — uma ferramenta que amplia possibilidades, mas não substitui o coração do contador de histórias. Algoritmos podem dominar métrica ou estrutura, mas não carregam as cicatrizes e alegrias que fazem as histórias ecoarem. O desafio, neste novo fronte, não é resistir à IA, mas usá-la para elevar — não corroer — a voz humana insubstituível.
E você? A IA poderia escrever uma história que lhe arrancasse lágrimas, ou esse poder mágico pertence apenas a autores de carne e osso? Deixe sua opinião nos comentários."
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