Entrevista com o escritor Vitor Simon
Everton Cidade entrevista o escritor Vitor Simon, que lança novo livro mês que vem. O lançamento será na Glingy (Rua Brasil 881, centro São Leopoldo) às 19 horas no próximo dia 4 de abril.
Sobre "A Arte Milenar De Engolir Estrelas", de Vitor Simon
"Que livro bom. Que livro bom. Que livro bom. Posso repetir milhões de vezes isso e será pouco. Elétrico. Moderno. Veloz. Surreal sem ser hermético.
É um livro onde se lê cores e sensações.
É poesia pop. É pop arte. A influência de Murilo Mendes desdobra em galáxias cotidianas mágicas. Que livro bom ao infinito."
Everton Cidade
Vitor Eduardo Simon é redator publicitário e mora em São Leopoldo desde 1996. É formado em Publicidade e Propaganda pela UFSM e em Filosofia pela UFPel. Estudou conto na oficina de Luiz Antônio de Assis Brasil e poesia na oficina de Orlando Fonseca. É autor de "Bravos contos breves", "Moedas soltas no bolso", "Cata-vento imóvel", "Cipó e outros poemas" e "A arte milenar de engolir estrelas".
1. Do que trata o livro novo?
São poemas que ganharam vida a partir de insights do cotidiano, que eu passei cuidadosamente no moedor de carne da imaginação. É um exercício intuitivo, no início, mas que por fim requer um olhar mais racional para polir e dar brilho.
2. A Arte Milenar de Engolir Estrelas difere em quê, liricamente de teus outros escritos?
Acho que Cipó foi liricamente mais denso, pois trata de experiências testemunhais mais profundas. Foi escrito logo após a morte da minha mãe. Há uma certa beleza dolorosa nele. A arte milenar de engolir estrelas tem mais uma vibe de renovação, ainda que um pouco pessimista, refletindo um momento de vida diferente. Não sei até que ponto isso transparece, mas para mim está claro.
3. O quanto é importante a parte visual e gráfica no teu trabalho?
É importante, mas confesso um certo desleixo nisso. Como gosto de me envolver na concepção do livro todo, acabo fazendo essa parte também, embora eu não seja um profissional na parte visual e gráfica. Em todo o caso, quase sempre fico satisfeito com o resultado. Cata-vento imóvel foi minha melhor obra nesse sentido. Nele acho que consegui ter um nível de qualidade comparável ao de uma editora.
4. Quais as referências e influências que tu utilizou para o A Arte Milenar De Engolir Estrelas?
Gosto muito do trabalho do Marco de Menezes, um poeta nascido em Uruguaiana e radicado em Caxias do Sul. A forma como ele escreve é uma grande inspiração pra mim. Murilo Mendes é outro autor que me motiva a querer escrever. Tive uma grande ajuda também, na fase final do livro, do poeta e amigo Richard Serraria, que fez uma leitura crítica e deu dicas ótimas, inclusive para a capa. Foi dele a proposta de trazer algo mais Pop Art. Partimos da referência da língua dos Rolling Stones, remetendo a algo clássico, porém subversivo. Acho que combina com os poemas do livro.5. A poesia vem de qual lugar para ti?
Vem inicialmente dos livros que meu tio esqueceu no nosso sótão. Lá, ainda guri, eu conheci a obra do Jayme Caetano Braun e do Apparicio Silva Rillo, dois autores regionais. O ritmo dos versos, o atavismo levado a extremos, aquilo me pegou. A redondilha maior comendo solta. Anos depois, me fixei mais na prosa. Inclusive, meus dois primeiros livros são de contos. Lá por 2018, eu me descobri poeta. Não sei bem qual foi o demônio que me soprou isso no ouvido. E aqui estou, tentando convencer os leitores disso. E a mim mesmo, por supuesto.
6. Que outras artes praticas além da escrita?
Gosto de cantar, mas normalmente faço isso em grupo. E não sou muito bom com grupos.
7. Livro novo, vida nova?
Acho que sim, no sentido de tentar aprimorar meu estilo para o próximo, que não sei se existirá. Isso passa por ler e reler autores que gosto, incorporar algo deles. Exercitar o emocional também, ter mais confiança e coragem. E seguir atento ao que a vida oferece diante dos meus olhos. Escrever não é um dom e nem uma maldição: é uma escolha.
Confira um poema de Vitor Simon
FAMÍLIA
A mãe era carne e osso e tal,
pendurando a alma no varal.
O pai era pinhão na chapa,
face vermelha,
pantufas com forro de lã de ovelha.
A vó era cara azeda,
laranja chupada
no sol da calçada.
Eu era aquele, do pão com melado,
casca preta na fatia:
se não comer, não assovia.
Hoje não somos mais nada disso
e nem nada que se queira.
Porque a vida
é um tal de descer ladeira.
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